Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2012

A etnicidade encoberta - Índios e Negros no Rio Grande do Norte

Imagem
Se, nos estudos sobre o Rio Grande do Norte, as referências às identidades diferenciais são discretas, também nas representações nativas do passado, percebemos uma ausência dos principais atores da história colonial. Nos dois casos, as populações autóctones, os escravos e os seus descendentes, são relegados ao segundo plano. No entanto, quando examinamos de perto a tradição oral, verificamos a existência de elementos recorrentes que, apreendidos conjuntamente, terminam por informar sobre um passado que não foi registrado nos livros de história. Encontramos também interpretações surpreendentes dos eventos históricos que, a primeira vista, parecem totalmente fantasiosas e desprovidas de qualquer lógica: a entrada do maravilhoso no discurso sobre o passado parece estar associada a anacronismos e inversões inéditas quanto ao papel dos agentes históricos. Assim os textos orais mostram um possível caminho, tanto para o conhecimento de uma História subterrânea das Américas, entre memória e e...

Preservação da vegetação nativa da Caatinga

Imagem
A vegetação nativa é o habitat do homem primitivo. Com o acúmulo de conhecimento das sociedades ela passou a ser modificada, com o enriquecimento das plantas consideradas úteis e retirada das nocivas, até chegar ao ponto da agricultura com retirada total da vegetação nativa e o cultivo de plantas selecionadas. Este processo foi responsável pelo enorme crescimento da produção de alimentos e de outros produtos vegetais que tem sustentado a crescente massa populacional do globo. Obviamente, foi visto como um processo desejável até o extremo de serem menosprezadas as áreas cobertas de vegetação nativa, simples 'mato', aguardando a vez de serem trabalhadas. Mas sempre houve uma certa preocupação com a manutenção de áreas de vegetação nativa, por razões que iam desde a utilidade de alguns de seus componentes, como as árvores madeireiras de difícil cultivo, até o desejo de manutenção de áreas de lazer, como os campos de caça das elites de quase todas as sociedades. Com o aumento expon...

Plantas do Sertão: uma Viagem pela Geografia Botânica e pela História do Seridó, RN

Imagem
Este ensaio de Helder Alexandre Medeiros de Macedo, Professor do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do RN, analisa a presença das plantas no processo histórico de construção do Seridó, região sertaneja do Rio Grande do Norte, a partir de fontes manuscritas e da literatura regional, apontando caminhos para se pensar a conservação da vegetação nos dias atuais. Ao ler este ensaio, deixe-se levar pelos caminhos cheios de cipós e urtigas, ladeados pelas flores de mulungus e perfumados com a fragância da flor de pereiro para perceber os diversos relacionamentos que o homem vem mantendo com a flora regional nesses últimos quatrocentos anos, apropriando-se também da cultura e do gosto nativo pelas plantas. Download do pdf: Plantas do Sertão

Os índios do Brasil holandês nas telas de A. Eckhout

Imagem
> Em sua estadia no Brasil, na primeira metade do século XVII o artista Albert Eckhout da corte de Maurício de Nassau pintou, entre outras obras, um grupo de oito telas de grandes dimensões sobre casais de homens e mulheres, representando a primeira tipologia pictórica sobre os habitantes do Brasil: Homem Negro, Mulher Negra, Homem Mulato, Mulher Mameluca, Homem Tupi, Mulher Tupi, Homem Tapuia e Mulher Tapuia. Aqui interessam apenas os dois últimos casais de Tupis e Tapuias. Sobre o holandês Albert Eckhout ressalta Clarival do Prado Valladares ...Pintor e desenhista de gênero (tipos e costumes), animalista, naturalista, documentador e paisagista de excepcional domínio do desenho do modelo vivo e de inquestionável linguagem estilística individual ainda mesmo em face da limitação, da dificuldade de sua pintura de caráter realista, excessivamente verista, totalmente implicada na descrição da natureza exótica, que era o novo mundo... Os óleos da Mulher Tupi, Homem Tapuia e Mulher Tapuia...

Na Pista dos Grandes Caçadores do Nordeste

Imagem
As pesquisas arqueológicas no Nordeste do Brasil, na última década, proporcionaram uma radical mudança no enfoque do povoamento pré-histórico da região. Não só surgem, cada vez mais, as evidências de que a presença humana nesses quadrantes é antiga de dezenas de milhares de anos, como igualmente antiga é sua interiorização continental, como plenamente demonstrada pelas evidências esclarecedoras de São Raimundo Nonato, no Piauí. Se a mudança, de um lado, enevoa antigas ilações científicas, de outro, abre novas perspectivas no re-estudo dos resultados de trabalhos arqueológicos acumulados ao correr dos anos, quando refletido contra esta nova realidade. Tendo como guia a aceitação da presença do homem no Piauí desde cerca de 47.000 anos atrás, é compreensível que se aceite, portanto, a necessidade, não só da revisão bibliográfica, mas do reexame das descobertas e teorias arqueológicas anteriores em relação aos elementos nos quais foram baseados os raciocínios, sendo, no caso desse trabalh...

Programação da Expedição Confluence

Imagem
1°dia Bem cedinho, logo depois do café-da-manhã, vamos zarpar do Sitio Araras em direção SE remontando o rio Piranhas/Açu; primeira parada na Itatinga, a Pedra Branca (do Tupi ita=pedra e tinga=branca), um alto rochedo do topo do qual pode-se observarar boa parte da região. Pausa pro almoço ao meio-dia; à tarde continuaremos remando até o Campo E, nas proximidade da cidade de São Rafael, na margem direita do rio, onde pernoitaremos. 2°dia Depois do café-da-manhã vamos passar pro porto de São Rafael para comprar alguns mantimentos e continuaremos remontando o rio até o sempreverde Juazeiro na ponta da Ilha Grande, onde pararemos pro almoço. De volta ao remo, agora em direção S, vamos continuar nossa viagem até o Campo M, numa baia abrigada perto do Sitio Mutamba, um pequeno povoado na margem esquerda do rio aos pés das Serras das Pinturas. 3°dia Este é o dia da Confluencia! Vamos continuar subindo o rio Piranhas/Açu por um bom pedaço até dobrar a ponta da Serra de Jucurutu, depois da fo...

Sítio Mutamba

Imagem
O Sítio Mutamba é uma vila de pescadores e pequenos agricultores composta por poucas dezenas de casas, na margem esquerda do rio Piranhas/Açu, no sertão norteriograndense. Territorialmente o Sítio Mutamba pertence ao município de Jucurutu, cuja cidade está situada na outra margem do rio. Segundo Luís da Câmara Cascudo em seu "Nomes da Terra": "Topônimo vulgar pelo Rio Grande do Norte. Arvore Guazuma ulmifolia , Lam. Os indigenas chamavam-na Ibixuna . E' africanismo, de Angola, embora a arvore no continente negro não seja a mesma". O pequeno porto do Sítio Mutamba fica animado só na segunda-feira: é nesse dia que as carateristicas lanchas motorizadas dos barqueiros locais ficam num vai-e-vem continuo, levando os moradores da vila e das cercanias pra feira de São Rafael, na outra margem do rio, mas menos distante que Jucurutu. Do porto de São Rafael, as lancham voltam pro Sítio Mutamba carregadas de todo tipo de mercadoria. Isso porque no Sítio Mutamba tem apenas ...

Indios do Açu e Seridó

Imagem
Finalmente, em meados de 2011, foi republicado este valioso livro de um historiador potiguar voltado para os temas regionais: Olavo de Medeiros Filho, que destaca-se como um dos mais importantes estudiosos da história colonial do Rio Grande do Norte e cercanias. "Indios do Açu e Seridó" trata dos indigenas que abitaram o sertões do RN, tapuias das nações Tarairiu e Cariri, que ao contrario dos habitantes do litoral da nação Tupi, mantiveram-se hostis e resistiram quanto puderam às investidas dos colonos portugueses. Um livro que contém valiosos subsidios nao so para a História, mas também para ciencias correladas, notadamente a Etnografia. Um livro imperdível para os interessados ao passado do sertão norteriograndense. Mais um inestimável serviço à cultura regional das Edições Sebo Vermelho do amigo Abimael Silva, ao qual vai meu agradecimento pessoal pela grandiosa ideia da edição facsimilar, que nos permitiu folherar de novo livros tão importantes para a literatura, a histó...

Tamborete de couro de cabra

Imagem
Característico tamborete* sertanejo de fabricação artesanal feito de madeira de pereiro e couro de cabra por artesãos do Vale do Assu/RN. Couro disponível em varias cores. Altura do banquinho pequeno: aprox. 26cm. Altura do banquinho regular: aprox. 46cm. Preço unitário - banquinho pequeno R$.50,00 + frete Preço unitário - banquinho regular R$.65,00 + frete Enviamos pelo correio, ou transportadora, para todo o Brasil. Consulte-nos para calcular o valor do frete. Entregamos gratuitamente na Praia da Pipa, RN ao voltar do sertão, uma vez por mês. Entre em contato conosco: igaruana.org@gmail.com *obs. expondo brevemente o banquinho ao sol, o couro de cabra fica retesado como o de um tambor.

Pereiro

Imagem
Pereiro (Aspidosperma pyrifolium) é uma árvore nativa da caatinga nordestina, principalmente em várzeas fluviais e terrenos próximos a elevações de terra (serras, chapadas ou cuestas). Provavelmente um estrangeiro que visitou a região do semiárido reconheceu na folhagem desta planta uma semelhança com a folhagem da pereira, planta que produz a pêra, da família Rosaceae (gênero Pyrus), e o nome acabou se incorporando ao costume popular. Características Árvore de tamanho médio, com 7-8 m de altura, lactescente, com caule bem desenvolvido, ereto e de copa normal em ambientes não degradados (quando nestes, frequentemente se encontram indivíduos rebrotados, de copa ramificada já próxima à base) Casca de sabor amargo, lisa, acinzentada, com lenticelas brancas quando jovem, e rugosa, largando em placas irregulares quando idosa Folhas simples, alternas, ovais, de 4-9 cm de comprimento, amargosas e coriáceas Flores aglomeradasem pequenas cimeiras terminais, alvas, pequenas, de perfume muito ag...

Tucunaré

Imagem
Tucunaré , do Tupi "tucun" (árvore) e "aré" (amigo), ou seja, "amigo da árvore", Cichla spp., é uma espécie de peixe presente nos rios da América do Sul, em especial do Brasil, também conhecida como tucunaré-açu, tucunaré-paca, tucunaré-pinima, tucunaré-pitanga, tucunaré-vermelho ou tucunaré-pretinho. A definição "amigo da árvore", já arraigada entre os pescadores, vem sendo usada de forma equivocada, pois decorre erroneamente de uma tese que sustenta o pescador ambientalista, Domingos Fiorante Bomediano, a partir da idéia de que a maioria das palavras indígenas, sobretudo tupis-guaranis, surgem da junção de outras duas ou mais palavras. Assim sendo, "tucunaré" nada mais seria do que a junção de "tucum" e "aré", sendo a primeira palavra para designar uma palmeira muito espinhenta, comum nas barrancas dos rios e, a segunda palavra, para designar "amigo", que por extensão, leva a amizade, familiaridade, que p...

Aventuras na Natureza em canoa canadense

Imagem

Carcará

Imagem
Também conhecido como carcará, carancho, caracaraí (Ilha do Marajó) e gavião-de-queimada, o caracará não é, taxonomicamente uma águia, e sim um parente distante dos falcões. Ocorre em campos abertos, cerrados, borda de matas e inclusive centros urbanos de grandes cidades. A canção Carcará, composta por João do Valle e José Cândido, ficou famosa na voz de Maria Bethânia. A canção descreve o hábito da espécie de caçar em queimadas: Carcará, pega mata e come Carcará não vai morrer de fome Carcará, mais coragem do que hôme Carcará, pega mata e come Carcará, lá no sertão É um bicho que avôa que nem avião É um pássaro malvado Tem o bico volteado que nem gavião Carcará, quando vê roça queimada Sai voando e cantando, Carcará Vai fazer sua caçada Carcará come inté cobra queimada […] Características Medindo cerca de 56 cm da cabeça a cauda e 123 cm de envergadura, o caracará é facilmente reconhecível quando pousado, pelo fato de possuir uma espécie de solidéu preto sobre a cabeça, assim como um ...