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Mostrando postagens com o rótulo história

A viagem de Roeloff Baro ao sertão do RN em 1647

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No período que vai de 1633 a 1654, o território da Capitania do Rio Grande esteve sob domínio holandês, gerenciado pela Companhia das Índias Ocidentais. A abundância de gado, açúcar, farinha e peixe, além da importância da costa atlântica do Rio Grande, certamente foram motivos que levaram à tomada desse território, dentro do plano mais geral de conquista das fontes produtoras do açúcar traçado pelos batavos. Esse período é visto, pela historiografia clássica norterriograndense, como um tempo de muita devastação, roubos, saques, mortes e violência. Ressaltemos, a propósito, a construção de uma figura tida como aterradora e sanguinária nessa historiografia, a de Jacob Rabe, um truculento orientado, nas palavras de Luís da Câmara Cascudo. No fim da década de 1640, todavia, os pilares que sustentavam a presença holandesa nos trópicos começam a apresentar sinais de fragilidade. Nesse cenário de convulsões e alvoroços aconteceram os conhecidos massacres de Cunhaú e Uruaçu, incitados sob o c...

Leitura Reflexiva da Viagem ao País dos Tapuias

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Leitura Reflexiva da Viagem ao País dos Tapuias de James Emanuel de Albuquerque Monografia de graduação apresentada ao Programa de Graduação em História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em História. Este exemplar corresponde à redação final da monografia de bacharelado defendida e aprovada pela comissão julgadora em 2002. Este trabalho tem como objetivo produzir uma leitura reflexiva da “Viagem ao país dos tapuias”, documento gerado pela administração do Brasil Holandês (1647). A partir de procedimentos teóricos metodológicos relativos as possibilidades de análises críticas de textos históricos, procuramos abordar um dos processos históricos constitutivos das experiências indígenas no Brasil Colonial do século XVII. Um documento interessante que aponta para a necessidade da releitura de documentos coloniais que produza um “renovado retrato da participação das populações indígenas diante do avanço dos europeus”. Dow...

Vassalos indígenas

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Vassalos indígenas de Francismar de Carvalho* Nas últimas décadas do século XVIII, espanhóis e portugueses aceleraram o processo de conquista da porção central da América do Sul, instalando fortes militares e incentivando o avanço dos estancieiros sobre os territórios. Em meio às contendas pela demarcação das fronteiras coloniais, colocava-se o problema de como incorporar as populações indígenas que ali viviam e dispor de mão-de-obra para as atividades econômicas em expansão. O presente trabalho analisa os padrões de estratégias que espanhóis e portugueses utilizaram para atrair a colaboração de caciques, reduzir os povos indígenas em aldeamentos e manter sobre eles uma estrutura de poder que propiciasse o fornecimento regular de mão-de-obra. Os “tratados de paz” firmados entre colonizadores e lideranças indígenas são documentos decisivos desse processo, dispositivos de dominação empregados tanto por espanhóis como por portugueses. Leia o artigo integral clicando aqui *Doutor em Histór...

Mulheres canibais

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Ao partir de imagens pictóricas européias sobre o canibalismo, este artigo do prof. Raminelli publicado na Revista USP mostra como essas passaram a ser incorporadas aos relatos de viajantes. Fixando-se em um primeiro momento nos ameríndios figurados por Albert ECkhout procura indagar qual seria a razão para esse pintor representar uma alegoria bélica e indícios de antropofagia juntos a uma mulher. Analisando também as imagens pictóricas sobre as mulheres índias representadas por Theodor de Bry, Ronald Raminelli conclui que a recorrência das mulheres nos festins canibais de De Bry constitui uma forma de materialização discursiva de uma visão do mundo. Download do artigo de Ronald Raminelli* clicando aqui *Professor da Universidade Federal Fluminense e Doutor em História pela USP

Patrimônio cultural e questão étnica no Rio Grande do Norte

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Se o sertão do Rio Grande do Norte foi o cenário de uma importante resistência indígena da história colonial brasileira, encontramos, hoje raros grupos que se reivindicam como índios (Cascudo 1985; Lopes 1999; Puntoni 2002). Esse paradoxo é explicado, em parte, pela forma como foi escrita a historiografia local e pela ausência de estudos especializados na região. O mesmo acontece com os descendentes dos escravos trazidos da África desde o século XVII. Apesar da falta de uma síntese histórica geral e de dados empíricos completos, podemos pensar que as populações indígenas e afro-descendentes que povoaram a região foram bastante numerosas. O estudo dos grupos etnicamente diferenciados parece uma via fecunda a partir do momento em que, explicitando as mudanças ao longo do tempo, se recupera a versão da história contada pelos membros dos grupos e a análises de suas representações; registros narrativos de uma memória que foi preservada ao longo dos séculos de dominação. Assim, pensamos que ...

Indígenas do Rio Grande do Norte: uma longa história de resistência

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por Jussara Galhardo Aguirres Guerra* Durante parte dos séculos XVII e XVIII aconteceu no RN, uma das maiores resistências indígenas do país que recebeu o nome de “Guerra dos Bárbaros”, ou Guerra do Açu, por ter sido o seu epicentro a região do Açu e que depois se expandiu por vários estados do nordeste. Por mais de quarenta anos, diversas lideranças indígenas lutaram pela terra, investindo contra o avanço colonial. Seus heróis anônimos: Janduí, Canindé, Antônio Paraupaba, Pedro Poti entre outros, não são lembrados, nem agraciados em sua bravura pelos livros de história. Os “negros da terra” (denominação utilizada pelos lusitanos para se referirem aos nativos aqui encontrados) passaram por um longo processo de miscigenação que fora imposto pelo rei de Portugal como forma estratégica de desocupação da terra e de limpeza étnica. A concepção era a de que não sendo mais “índios puros”, não tinham mais direitos às terras originais, sendo estas colocadas à disposição do projeto de expansão ...

Relações de poder e violencia na Paraiba setecentista

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DENÚNCIAS E VISITAÇÕES AO TERRITÓRIO MÍTICO DA JUREMA: RELAÇÕES DE PODER E VIOLÊNCIA ENTRE REPRESENTANTES INQUISITORIAIS E LÍDERES RELIGIOSOS TARAIRIÚ NA PARAHYBA SETECENTISTA O uso da Jurema como alucinógeno e parte do ritual dos indígenas Tarairiú: Xukuru e Kanidé foi interpretado pelo padre visitador, vinculado ao Bispado de Pernambuco, como a permanência das influências diabólicas nos espaços do sertão da capitania da Parayba e, especialmente, no Aldeamento de Boa Vista sob os cuidados dos Carmelitas Descalços. Os visitadores e os vassalos de El Rei não só afirmaram que o “diabo” estava impresso nos corpos dos Xukurú e Kanidé, mas também permanecia nas suas práticas culturais, capaz de ter desencaminhado os religiosos carmelitas que passaram a adotar as crenças ameríndias e utilizar suas ervas medicinais, provocando críticas e denúncias de membros da Igreja e da Administração Colonial. Diante do exposto, esta comunicação objetiva apresentar os resultados da pesquisa em que se probl...

Resistência e Mestiçagen Cultural no sertão do RN

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História indigena no sertao do Rio Grande do Norte após a Guerra dos Barbaros: Resistência e Mestiçagen Cultural de Helder Alexandre Medeiros de Macedo¹ Os nativos da Capitania do Rio Grande foram extintos, exterminados, aniquilados ou então fugiram para outras capitanias após os eventos das Guerras dos Bárbaros, não sobrando praticamente nenhum representante dos vários grupos indígenas que habitavam esse território quando chegaram os colonizadores brancos. Esses são discursos recorrentes na historiografia clássica no Rio Grande do Norte, que corrobora o tão falado desaparecimento dos índios do Norte no decurso do século XIX que aparece em diversos relatórios de presidentes de província. Estudos regionais, todavia, demonstraram a presença de índios nos assentos da Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana do Seridó entre os séculos XVIII e XIX. Essas evidências nos levam a acreditar, quando estamos tratando de um recorte espacial específico qual é a Freguesia do Seridó, na resistência do...

A etnicidade encoberta - Índios e Negros no Rio Grande do Norte

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Se, nos estudos sobre o Rio Grande do Norte, as referências às identidades diferenciais são discretas, também nas representações nativas do passado, percebemos uma ausência dos principais atores da história colonial. Nos dois casos, as populações autóctones, os escravos e os seus descendentes, são relegados ao segundo plano. No entanto, quando examinamos de perto a tradição oral, verificamos a existência de elementos recorrentes que, apreendidos conjuntamente, terminam por informar sobre um passado que não foi registrado nos livros de história. Encontramos também interpretações surpreendentes dos eventos históricos que, a primeira vista, parecem totalmente fantasiosas e desprovidas de qualquer lógica: a entrada do maravilhoso no discurso sobre o passado parece estar associada a anacronismos e inversões inéditas quanto ao papel dos agentes históricos. Assim os textos orais mostram um possível caminho, tanto para o conhecimento de uma História subterrânea das Américas, entre memória e e...

Os índios do Brasil holandês nas telas de A. Eckhout

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> Em sua estadia no Brasil, na primeira metade do século XVII o artista Albert Eckhout da corte de Maurício de Nassau pintou, entre outras obras, um grupo de oito telas de grandes dimensões sobre casais de homens e mulheres, representando a primeira tipologia pictórica sobre os habitantes do Brasil: Homem Negro, Mulher Negra, Homem Mulato, Mulher Mameluca, Homem Tupi, Mulher Tupi, Homem Tapuia e Mulher Tapuia. Aqui interessam apenas os dois últimos casais de Tupis e Tapuias. Sobre o holandês Albert Eckhout ressalta Clarival do Prado Valladares ...Pintor e desenhista de gênero (tipos e costumes), animalista, naturalista, documentador e paisagista de excepcional domínio do desenho do modelo vivo e de inquestionável linguagem estilística individual ainda mesmo em face da limitação, da dificuldade de sua pintura de caráter realista, excessivamente verista, totalmente implicada na descrição da natureza exótica, que era o novo mundo... Os óleos da Mulher Tupi, Homem Tapuia e Mulher Tapuia...

Indios do Açu e Seridó

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Finalmente, em meados de 2011, foi republicado este valioso livro de um historiador potiguar voltado para os temas regionais: Olavo de Medeiros Filho, que destaca-se como um dos mais importantes estudiosos da história colonial do Rio Grande do Norte e cercanias. "Indios do Açu e Seridó" trata dos indigenas que abitaram o sertões do RN, tapuias das nações Tarairiu e Cariri, que ao contrario dos habitantes do litoral da nação Tupi, mantiveram-se hostis e resistiram quanto puderam às investidas dos colonos portugueses. Um livro que contém valiosos subsidios nao so para a História, mas também para ciencias correladas, notadamente a Etnografia. Um livro imperdível para os interessados ao passado do sertão norteriograndense. Mais um inestimável serviço à cultura regional das Edições Sebo Vermelho do amigo Abimael Silva, ao qual vai meu agradecimento pessoal pela grandiosa ideia da edição facsimilar, que nos permitiu folherar de novo livros tão importantes para a literatura, a histó...