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Exp. Itacoatiara - Março de 2015 - Parte #4

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Exp. ITACOATIARA - Março de 2015 ========================== == Parte #4 3º dia de expedição Às 4h, o despertador do celular de Chico tocou. A musiquinha era aquela que todo o mundo conhece, da "Ligação a cobrar". Estava chovendo, praticamente sem parar, das três da tarde do dia anterior. Com uma faxina e uma isca secas, guardadas por esse fim, Chico acendeu facilmente o fogo e colocou logo para ferver a água do café. Depois, começou a refogar no caldeirão os temperos de um feijão com carne-com-osso, que iria cozinhar lentamente e ficar pronto pro almoço. Resmungando, o outro pescador se levantou da rede só quando sentiu o cheiro do café. Tomado o café, já por baixo de uma chuva fininha, que prometia findar-se em breve, os dois pescadores foram pro serviço: recolher umas redes ali e colocar umas outras acolá. No quebrar da barra, me levantei eu também. Tomei duas xícaras cheias de café quente e fui dar uma caminhada no mato. O sertão todo verde, enchar...

Exp. Itacoatiara - Março de 2015 - Parte #3

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Exp. ITACOATIARA - Março de 2015 ========================== == Parte #3 2º dia de expedição Quando acordei, o céu estava já claro e se tingindo de azul. A visão das ruínas da antiga cidade de São Rafael me deixou boquiaberto por um pedaço. Durante o verão, o nível do rio devia ter baixado mais uns três metros. Chegando no escuro da noite anterior, não tinha percebido muita coisa na penumbra. Todas as ruínas da igreja estavam à vista. O topo da torre do sino, que ficou erguido acima das águas por um quarto de século e, repentinamente, ruiu em 2010, estava de novo sob o olhar de todos. Quando a torre desmoronou, a cúpula ficou inteira, contudo toda inclinada de um lado. O que resta da fachada da igreja pode enganar a mente das pessoas cuja imaginação pode correr dos passados mais remotos até futuros improváveis. Caminhei até a margem, para pegar algumas coisas na canoa, mas não resisti a tentação de nadar entre as ruínas. Com todo o cuidado para não esbarrar em ...

Exp. Itacoatiara - Março de 2015 - Parte #2

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Exp. ITACOATIARA - Março de 2015 ========================== == Parte #2 1º dia de expedição No quebrar da barra¹, estiquei uma perna fora do lençol, para alcançar com o pé uma raiz do imbuzeiro, e dei novo impulso ao balanço da rede. Assim, dormi mais uma meia hora, ou, por melhor dizer, eu acordei devagar. Quando me levantei, dobrei logo a rede e a guardei no saco estanque amarelo, junto com o lençol e as duas cordas que servem para arma-la, em arvore, latadas, varandas. Sol fora², tomei meu primeiro café em pé no alpendre, já procurando alguém que me ajudasse a carregar a canoa até o rio. Quem não tardou a aparecer, cruzando a estrada de terra com passos largos, foi Domingo, filho de Zé Lopes, que na hora se dispôs a ajudar-me. Puxamos umas das canoas laranja da casa de taipa, onde ficam guardadas, e em poucos minutos a levamos até a prainha de areia, na beirada, ainda aproveitando da viagem para carregar na canoa os remos, o colete e outros objetos leves. D...

Exp. Itacoatiara - Março de 2015 - Parte #1

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Este relato ia intitular-se "O poeta e o pirata", se não fosse que meu amigo Raul Pimenta, poeta e escritor potiguar, que cortou o umbigo no Caicó, mas mora há décadas na capital, convidado escolhido para participar da primeira expedição Itacoatiara de 2015, acabou tendo que renunciar na última hora, pois não pôde adiar outro compromisso que surgiu no caminho. A primeira expedição itacoatiara não tem data marcada, até não rolarem, pelo menos, duas boas chuvas na região da Serra das Pinturas, na pegada do inverno: com o Riacho da Pedra Lavrada que forma um pequeno lago, o sertão todo verde e os outros riachos com água correndo, para refrescar-se no meio do caminho, é bem melhor que praticar a trilha de 9+9km pela caatinga toda seca, na época da estiagem. Por ser uma expedição de recognição, geralmente quem vai comigo é apenas um ajudante, ou um amigo especialmente convidado. Quando foram anunciadas as primeiras chuvas no sertão, comecei a acompanhar os rel...

Já não tem mais muita cobra como um tempo

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Fazia mais de oito meses que não encontrava Gilson Vieira durante minhas remadas no Vale do Assu. Como a maioria dos pescadores locais, Gilson não faz exceção ao costume de não se afastar muito das cercanias quando vai pescar. Cada pescador, que se preocupa apenas com a subsistência de sua família, tem uns locais preferidos para se apoitar e jogar a isca não muito longe de sua casa ou da vila onde mora. Com sua canoinha, ele rema até um desses locais e, quando fica satisfeito da pescaria, pode voltar para casa rapidamente. Dois ou mais pescadores que se afastam da vila e arrancham umas noites ou umas semanas longe de suas moradias, geralmente vendem o peixe que pescam, quase sempre para atravessadores, que levam o pescado em canoas motorizadas para as feiras da região. Para conservar o peixe até a chegada dos compradores, os pescadores o guardam em caixas de isopor ou salgado no sol, dependendo da espécie. Outro dia, acordei na Ilha Grande de São Rafael um pouco mais tarde ...

Um itinerário diferente

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Quando nos reunimos, geralmente alguns dias antes de uma expedição, para conhecer-nos e conversar sobre a aventura que iremos realizar, tiradas todas as duvidas, descobrimos os interesses pessoais de cada um, estabelecemos o estilo da nossa jornada e traçamos um itinerário aproximativo da viagem. Quase sempre, este itinerário planejado no mapa varia um pouco durante a expedição; mas, às vezes, ele muda completamente. Foi exatamente isto que aconteceu na ultima expedição Vale do Assu, no mês de abril passado. O grupo ficou formado por quatro amigos, dois casais: um paulista e um alagoano com suas mulheres paraibanas, todos com experiência de camping e trilhas; pela primeira vez eles iam praticar canoagem, tendo dois dos quatro já participado de alguma breve excursão em caiaque. Na noite anterior à nossa saída, enquanto estávamos conversando sobre segurança e alimentação, esperando o jantar ficar pronto, recebemos a visita de dois dos meus jovens amigos do Sítio Araras. Mateu...

Expedição Filosófica - 15 a 19 de Junho de 2012

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Como sempre na noite anterior à saida de uma expedição, não consigo dormir mais que poucas horas. Quando todo mundo esta já no sono mais profundo, eu ainda me levanto de vez em quando da rede ao lembrar-me de algo importante ou nem tanto, mas que não quero esquecer de carregar comigo e vou lá ver se já coloquei o tal objeto na caixa ou saco certo. Se não tenho outras preocupações, invento até de cozinhar um feijão para levar já pronto. Quando finalmente consigo ficar quieto, na maioria dos casos o dia ameaça amanhecer a qualquer hora e os galos andam cantando nos quintais das casas vizinhas. Às 5h em ponto, enquanto acendia o fogo por baixo da água do café, apareceu Valdo para me ajudar a levar a canoa e toda a tralha à beira-rio. Para esta expedição utilizamos a canoa amarela A2. Na últimissima hora, o segundo inscrito à expedição adiou sua participação para outra vez; de qualquer forma a gente, não querendo perder a ocasião, acabou saindo apenas em dois para mais uma aventura em cano...