segunda-feira, 1 de maio de 2017

Expedição Mendubim-Paraú [Abril de 2017]

Expedição em canoa canadense nas águas do açude Mendubim e rio Paraú, no sertão do Rio Grande do Norte. Sem pressa, demoramos quatro dias (três noites) para executar o itinerário. Percurso sem grande dificuldades, sendo o calor extremo do sertão a adversidade maior, principalmente nas horas mais quentes do dia (das 11h às 14h). Após as boas chuvas do mês de março, o volume do açude cresceu assaz, garantindo bastante água para uma boa aventura.

1º dia
Acordei às 6h40. Pierrôt tinha já preparado o café. Tomei uma meia caneca de café quente e comecei a organizar equipamentos e roupas para nossa aventura. Às 10h30 fomos de carro pra rua. Primeiro comprar a ração para os cachorros; depois fazer as compras em dois mercadinhos da cidade. Pierrõt pensou em preparar um mapa impresso da região na qual iremos remar; assim fomos imprimir duas telas capturadas do google maps, com boa parte do rio Paraú represado. Fomos almoçar um "prato feito" para não ter que cozinhar em casa. Chegamos no Sítio Araras por volta da uma da tarde. Enquanto Pierrôt tirava uma soneca, eu arrumei as últimas coisas. Às 15h30, chamei Moreno para me ajudar a carregar a canoa na capota do carro. Carregada toda a tralha e fechada a casa, fomos para a vila de Mendubim, por uma estrada de terra pouco conhecida, que descobri durante minhas pedaladas. Chegados ao porto das canoas de Mendubim, de onde começa nossa remada, Pierrôt reparou ter esquecido em casa a perna para aventuras molhadas, assim teve que voltar pro Sítio Araras buscá-la. Enquanto isso, eu conversei um pouco com um pescador local, lavei a canoa dentro e fora e distribui toda a carga, equilibrando os pesos. Quando Pierrôt voltou, sem perder tempo (o pôr do sol já estava próximo), remamos por um quilômetro e meio, ou dois, aproximadamente, e encontramos um local onde acampar. Na ordem: fogo, café, jantar e depois deitamos nas redes e dormimos.



2° dia
Na madrugada, escutamos trovoadas ameaçadoras, mas o céu sobre de nós ficou todo estrelado a noite inteira. Acordei às quatro e meia, para tirar umas fotos do amanhecer, depois voltei a dormir mais um pouquinho. Antes das seis, me levantei, acendi o fogo e preparei o café. Levantado o acampamento, carregamos todas nossas coisas na canoa e saímos do Campo A por volta das sete e quinze. Após uns cinco quilômetros, o rio foi se estreitando bastante e podemos apreciar ao mesmo tempo a vista de uma e outra margem. Com as boas chuvas de março, o sertão está todo verde, belíssimo, a dizer pouco: sensacional. Após uma hora e meia de remo, paramos na sombra de uma grande arvore por um lanche energético. Comemos biscoitos integrais, uva passa e castanha de caju. De repente, apareceram numa canoinha dois pescadores. Conversando com eles, descobrimos ter ainda uma légua de rio navegável à nossa frente e o tal cruzeiro, do qual me disse o pescador no porto, a 3km rio acima. Pouco depois voltamos a remar. Parece que afinal deixamos o mapa impresso no carro, assim seguimos remontando o rio, marcando pontos de referência no GPS. No pé de um rochedo, após uma larga curva, avistamos dois jovens pescadores, armados de vara e anzol; fomos conversar com eles, descobrimos que Cruzeiro é o nome da vila (município de Assu/RN) pouco distante, mas que não existe cruzeiro nenhum ali. Por isso eu não conseguia avistá-lo em canto algum rss. Comprei por 5 R$ uns tucunarés recém pescados e seguimos remando. Pouco mais de um quilômetro depois, a água começou a ficar sempre mais rasa, até que tivemos que parar. Ali o rio ficou impraticável até para nossa canoa que precisa de muita pouca água para navegar. No leito seco do rio, os moradores construiram uns poços para abastecer-se de água na época da estiagem. Tomamos um banho refrescante e depois fui marcar com o GPS o "ponto extremo alcançado" do rio Paraú, nesta aventura. Tirei um bocadinho de fotos, lanchamos fruta seca com castanha de caju e voltamos a remar. Com o dia já muito quente, ficamos à procura de um bom local onde arranchar e preparar o almoço. De longe, toda arvore, de porte maior do que um arbusto, parece um rancho bom, mas só quando chegar perto dá para saber de verdade. Assim, fomos ziguezagueando pelas margens por um bocadinho, até não encontrar um local mais que apropriado. Decidimos, então, parar logo ali mesmo até o dia seguinte. Descarregado todo o equipamento necessário, armamos nossas redes na sombra de umas arvores de médio porte, de copa toda verde e bem fechada. Acendi o fogo e preparei um café; Pierrôt tratou o peixe e eu o cozinhei ensopado, com legumes e cuscuz. Deu pra comer no almoço e jantar. Passamos o resto do dia nas redes, curtindo a serena tranquilidade do lugar, escutando o canto dos passarinhos e o barulho das folhas, agitadas pelo ventinho da tarde.



3º dia
Acordei bem cedinho e sem nem tomar café, fui dar uma caminhada para tirar umas boas fotos ao amanhecer. Quando voltei ao campo, o café estava já pronto. Arrumamos toda a tralha, carregamos a canoa e fomos remando à procura de um bom lugar onde tomar banho, pois perto de onde acampamos, nesta época, tem muito capim que cresce na beirada. Depois subi ate a vila de Cruzeiro para comprar um pacote de café na vendinha que está no alto de um morro. Como na maioria dessas mercearias perdidas no meio do sertão, o que mais se encontra são produtos secos, empacotados, tipo biscoitos, bolachas, farinha, cuscuz, arroz etc. Nada de água mineral, nem algum tipo de hortaliça. Comprei o pacote de café, tomei um copo de água geladíssima e um cafezinho bem doce, que me ofereceram. perguntei sobre a origem do nome Cruzeiro dado a vila, mas não souberam me responder. Voltei pra margem, onde Pierrõt estava me esperando, atarefado em montar a goPro na proa da canoa, para efetuar umas filmagens. Lentamente, começamos a descer o rio Paraú, acompanhando a margem esquerda, até encontrar um braço de rio que, nos disseram, chega nas proximidades da vila de Limoeiro (Assu/RN). Após umas tentativas falidas, seguindo o braço do rio até onde conseguimos chegar, encontramos um bom lugar para arranchar, perto das ruínas da parede de um açudeco. Uma extensa várzea alagada ocupa boa parte do panorama ao poente, delimitada pela silhueta de uma baixa encosta, cheia de carnaubeiras. Um capão de mato no meio do rio serve para abrigo de muitas espécies de aves. À noite, o veremos ficar cheio de garças brancas, descansando nos ramos. Depois do almoço, deitei na rede e dormi uma horinha. Quando o calor baixou um pouco, fui dar uma caminhada por aí e tirei um bocadinho de fotos. Antes do pôr do sol fomos tomar banho de rio e assistimos ao crepúsculo dentro da água. Pro jantar, cuscuz e ovos mexidos, com abobrinha e champignon.



4º dia
Acordamos bastante cedo, mas nos demoramos um pouco mais na hora do café para apreciar bem o panorama fantástico do Campo C, com certeza o melhor dos três locais onde acampamos nesta aventura. Para o lanche da manhã, carga de energia no meio da remada, preparei logo um cuscuz com passas, castanha de caju, alho e mateiga do sertão, para não perder tempo na hora de bater a fome. Do braço secundário do rio Paraú, voltamos para o principal, que em breve ficou sempre mais largo, até formar o lago artificial do açude Mendubim. Apreciando o panorama, fomos remando devagar, conversando, tirando foto etc. Paramos por um banho refrescante numa prainha de areia grossa e pouco depois encostamos num rochedo para comer o cuscuz. Chegamos a porto das canoas de Mendubim cinco minutos antes do meio-dia. Depois das operações necessárias, carregamos a canoa em cima do carro e fomos comer uma bela tilápia ensopada, com pirão, feijão verde, batata doce e saladinha, no mesmo simples restaurante na margem, onde almoçamos uns dias antes. Pronto, foi isso.

Obs. o itinerário deste rolezinho em canoa está no wikiloc, para quem quiser conferir: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=17412719

Fotos de Jack d'Emilia 

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